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--> Hoje, dia 20 de Maio de 2019

CULTURAL DESAPARECEU DO MAPA?

Sábado, 16 de Março de 2019 154 visualizações Partilhar

É essa a sensação que se tem, quando se visita a maioria das páginas oficiais dos Açores.

Em favor da verdade devo dizer que, se a gente procurar por aqui e ali, até encontra informação cultural, mas, quem vê as páginas de entrada ou as parangonas de anúncio de viagens e de estadias, as propagandas de experiências ou as sugestões do que ver e fazer, percebe que a cultura destas ilhas está bastante metida a um canto e que toda a orientação geral vai no sentido de mostrar ilhas onde a natureza é rainha incontestada e onde os humanos apenas parecem, aqui e ali, a dar um ar da sua graça.

Essa visão, limitadora e limitante, do conjunto de mais valias que a nossa terra tem no seu conjunto é, desde logo, culturalmente lamentável. Porém, do ponto de vista económico, é simplesmente aberrante.

Em favor deste ponto de vista basta prestar atenção, nas entrelinhas, ao modo como o New York Times, voltou a apresentar os Açores, como sugestão de visita turística para 2019: “As Caraíbas no meio do Atlântico”.

Frase linda, correcta, densa de conteúdo, vasta de possibilidades.

De facto, se, de um ponto de vista da natureza, se pode dizer que a natureza vegetal e o vulcanismo nos irmanam, poderíamos continuar nessa sintonia e acrescentar piratas e tempestades, navios naufragados e episódios marítimos, a corrente quente do golfo do México, fruta centro e sul americana, episódios de guerra, arquitectura militar e civil, etc., etc…, mas não! Não é isso que acontece.

Por isso, renovo a pergunta em título: o turismo cultural desapareceu do mapa?

E acrescento outra: Porquê?

É que, por muito que se faça, por essas ilhas fora, ao nível dos agentes e entidades culturais, e faz-se, por muito que se abram igrejas, palácios, museus e outras coisas dessas, por muito que se desenhem percursos culturais e itinerários,o facto é que se nota uma organização quase exclusivamente orientada para a dita “natureza”, mesmo que acabe por misturar aves como o cagarro, da “natureza naturalnossa”, com infestantes como a hortênsia, da “natureza natural de outros”, lá longe.

Isto até nem seria errado se se explicasse quando e porquê as hortênsias aqui chegaram, ou a roca de velha ou conteira, e vindas de onde. Coisas que nos ligariam à chegada dos europeus ao Pacífico ou às folhas que se colocam por debaixo dos pães de massa doce e folares de Páscoa.

Mostrando assim tudo estaria mais ou menos certo, mostrando como se mostra mistura-se mal e sem sentido.

Nem os recursos culturais estão organizados, de um ponto de vista turístico, nem as entidades ligadas ao turismo se interessam por isso ou pedem isso, a ajuizar pelo que se vê, na internet ou impresso.

No entanto, asnossas ilhas, ESTAS ILHAS, têm demasiada e múltipla riqueza para continuarem a ser apresentadas e divulgadas apenas de um ponto de vista.

Aproveitemosa ajuda do New York Times,ao tornar evidente a multiplicidade da nossa riqueza e façamos, agora, o nosso trabalho de casa!

“Caraíbas no meio do Atlântico”! Gostei!

 

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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