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FAZER A COMUNIDADE RESPIRAR

Sábado, 15 de Setembro de 2018 109 visualizações Partilhar

Genericamente falando, o investimento que uma comunidade faz nos seus recursos mais preciosos, os recursos humanos, é tremendo.  Porque a geração seguinte fundamental num processo humano de constante construção e remodelação, e a falta de jovens, activos e capazes, é dramática.

Desde antes de ver nascer esses seus futuros membros, até à adolescência, é um investimento financeiro, educativo e emocional enorme.

Ele é escolas e jardins de infância, actividades de tempos “livres” (coloco as aspas porque os coitados dos filhotes de gente não têm outra hipótese senão usar essa “liberdade”, já que os pais costumam estar a trabalhar…), ele são explicações e formações complementares.

Depois, passa-se a um segundo estágio. O do “estudar fora”.

Se o investimento anteriormente feito, repito, financeiro, educativo e emocional é enorme, o que se passa a seguir só acrescenta volume e dimensão. Sobretudo o emocional, porque um dos pilares de uma comunidade é, precisamente, o conjunto de sentimentos de partilha que lhe constroem e suportam a identidade e esses jovens são enviados para longe.

Numa comunidade como a nossa, esse investimento, feito de dias de insónia, de horas de trabalho a mais para comprar algumas outras coisas, de sustos e de receios, de desejos e de esperanças feito, costuma ter um de dois retornos: ou o regresso dos jovens, acabados de formar, que se arrisca a enclausurar promessas de horizontes libertos, ou o não regresso que acaba por manter fechados esses mesmos horizontes, vistos do ponto de vista dessa comunidade.

Porque ela preparou e investiu, mas não lucra, seja de uma forma seja doutra, pois os tais horizontes a que me refiro se fecham, seja porque o regressar enclausurou, seja porque o não regressar, excluíu.

O facto é que, também e por sua vez, estas afirmações acabam por ser, de alguma forma, simétricas, mas talvez menos dramáticas para os sujeitos do investimento.

Quem sai também acaba por ser forçado a uma escolha que talvez nem quisesse: sair de cena ou ser recusado quando "quer regressar", ou voltar e anquilosar, mas pode seguir carreira.

O resultado é uma drenagem constante e é demasiado doloroso ver fechar-se um céu azul sem a certeza que ele retornará, e acabar por preferir o cinzento do conformismo é muito mau.

Proposta – deixar e fazer respirar. Ou seja, garantir a efectiva liberdade de horizontes aos que ficam e aos que viajam; garantir que o cá e lá se transformam em momentos sequencialmente constantes, num investimento feito com qualidade, com permanência e continuidade, fazendo com que sonhos de carreira e formas de cooperação e desenvolvimento sejam uma constante.

Vivemos num mundo tão profundamente aberto e com tantas facilidades de comunicação que tal coisa é, certamente, possível.

 

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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