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--> Hoje, dia 26 de Fevereiro de 2018

Em defesa de um homem livre

Sexta, 02 de Fevereiro de 2018 137 visualizações Partilhar

O homem livre é aquele que não receia ir até ao fim da sua razão” (Jules Renard)

Em artigo publicado a 1 de fevereiro de 2018, no Diário Insular, o Presidente da Câmara da Praia respondeu às declarações do professor Félix Rodrigues, reiterando que a água fornecida na Praia da Vitória é de excelente qualidade. Embora o professor Félix não precise de defesa pública porque ele, melhor que ninguém, saber fazer a sua defesa, acho por bem dar aqui duas ou três notas sobre esta questão.

A questão da contaminação dos solos merece estar no topo da agenda pública regional, uma vez que está em causa a saúde pública. Se bem me recordo, quando o professor Félix começou a trazer este assunto ao espaço público, houve quem adotasse uma postura “negacionista”, pondo em causa a competência académica e a legitimidade do professor. Em 2011, o Diário Insular colocou na primeira página um título inquietante – “Processe-se” – uma vez que a Câmara Municipal da Praia da Vitória queria processar Félix Rodrigues, por este ter considerado que a água do concelho não era de boa qualidade. Anos depois conseguimos perceber que a Praia da Vitória tem um problema muito sério, no que concerne à contaminação dos seus solos e aquíferos, e que a liderar todo este processo tivemos pessoas que tentaram sempre tapar o sol com a peneira. No mínimo, exige-se um pedido de desculpas públicos a Félix Rodrigues.

Em segundo lugar, em qualquer argumentação crítica direcionada ao professor Félix desvalorizam-se as suas análises afirmando que o mesmo se debruça sobre os mais diversos temas sem competência para o fazer. O professor Félix é não só competente nas análises que faz como também coloca a causa pública como o seu propósito maior. Para a defesa da causa pública, Félix Rodrigues não precisa de viver da política, porque encontra variadas formas de cumprir o seu dever cívico de uma forma séria e convicta. No caso concreto, a legitimidade de Félix Rodrigues, bem como a sua competência académica não merecem juízos de valor nem opiniões infundadas.

Em terceiro e último lugar, considero que chega de estarmos impávidos e serenos perante este assunto verdadeiramente assustador para as nossas gerações e gerações vindouras. Devemos reivindicar a descontaminação total e imediata dos aquíferos e solos contaminados, mas também devemos saber quem realmente nos defende e, por consequência, defende a verdade.

 

 

Colunista:

Emanuel Areias

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