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Construir um turismo sustentável

Sexta, 26 de Janeiro de 2018 284 visualizações Partilhar

Recentemente, foi notícia que a Matriz da Praia da Vitória foi visitada por mais de 10 mil turistas entre junho e dezembro de 2017. É um excelente número e é fruto de uma simples medida que a autarquia tomou, para bem da cidade praiense e da valorização do património local. A parceria estabelecida com a Diocese de Angra apenas peca por tardia. Pensa-se agora abrir a Igreja da Misericórdia, seguindo a mesma lógica. O objetivo é reter quem nos visita, por mais tempo, no centro histórico da Praia da Vitória.

Embora os resultados sejam promissores, e o crescimento do turismo seja uma realidade futura, penso que ainda não foram feitas algumas coisas de crucial importância. Usufruir do património como produto turístico tem os seus prós e contras. Para o fazer, julgo que em primeiro lugar, se devia garantir a preservação, a conservação e até o restauro do património existente. Pensar apenas no curto e médio prazo, ou no benefício imediato do crescimento do turismo, é não prever todas as variáveis com o máximo de responsabilidade.

Onde estão os estudos sobre a capacidade de carga das igrejas? Como está o processo de manutenção e preservação do património? Como está o processo de controlo da presença das pessoas face a objetos tão sensíveis? Como se garante a preparação de quem acompanha as visitas? Vão suprir um serviço exigente com recurso a um ciclo infinito de programas? Onde estão os painéis informativos?

Garantir o aumento do tempo de estada na Praia da Vitória implica a dinamização dos espaços existentes, com diversas iniciativas que podem ser levadas a cabo. Há que pensar para além do turismo religioso, valorizando outras dimensões do turismo cultural como o turismo militar, o enoturismo e a própria História local.

Importa, no entanto, referir que também os locais são parte importante da dinamização da sua cidade. Não queremos uma cidade apenas virada para o turismo, mas que respire a sua própria identidade. Isso passa por atrair também os praienses para o centro histórico da sua cidade.

 

 

Colunista:

Emanuel Areias

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