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QUEREM MATAR O GADO VERMELHO DE NEMÉSIO

Sábado, 01 de Abril de 2017 292 visualizações Partilhar

Apareceu, espero que seja engano, uma notícia acerca do fim do apoio ao gado do Ramo Grande!

Sabendo-se que as raças autóctones são, neste momento e cada vez mais, os esteios de apoio da produção de carne ou leite e derivados, em variadíssimas regiões da Europa e de Portugal, em particular, digam-me, por favor, que sentido faz terminar com esse apoio e enveredar pelos gados de importação, seja em sémen, seja em gado jovem, seja como for?

Dirão que o apoio apenas estava a manter um conjunto de animais, curiosidade genética para a União Europeia, apenas, e que o seu peso económico era nulo ou quase, e que outros existem melhores e mais capazes.

Dirão que, em comparação com o Ramo Grande, esses outros tipos de animais são mais isto e aquilo, seja na suculência da carne, seja nas características do leite, seja na quantidade de gado necessária para um mínimo de produção sustentável.

Talvez seja, mas a responsabilidade de tal situação deve-se, sobretudo, aos partidos regionais, porque é a partir deles que se forma a nossa Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, é partir desse parlamento que se forma o Governo Regional e é desse governo regional que se preparam, estudam, propõe em Bruxelas ou Lisboa, e esperam as medidas necessárias, não apenas para criar as condições e disponibilizar apoios, mas para providenciar o que falta e “ensinar a andar” quem, no dia-a-dia, ainda pensa que poderia ser doutra maneira.

E é nesse “ensinar a andar” que gostaria de concentrar agora algumas linhas porque reside precisamente aí o maior bloqueio. Porque o que está instalado no pensamento comum, no que ao gado do Ramo Grande diz respeito e no que ao público consumidor importa, é o entendimento de que existem uns subsídios que aquele gado “dá” e pouco ou nada mais. Ora um apoio é um apoio. Existe para ajudar a autonomizar, para ajudar a crescer e a desenvolver. Não é uma renda permanente e, muito menos, a razão de ser principal da actividade.

Se o Gado do Ramo Grande não está mais espalhado, não é mais conhecido, não está mais divulgado, se não existem manteigas, queijos, leites, carnes verdes e maturadas, peles curtidas com pelo ou malas e acessórios vários (até o sedenho de pelo de rabo de vaca entrançado!), cornos trabalhados, esculpidos…; sei lá que mais, não é porque essas coisas não possam existir, nem sequer é porque elas nunca existiram, porque existiram, em épocas recuadas, quando se sabia muito menos de genética, por exemplo, e podia muito menos, em todos os sentidos.

É aí que importa o tal “ensinar a andar” criando condições, percebendo os enquadramentos e as triangulações necessárias para que, na realidade, a situação se modifique, os produtos apareçam no mercado e aí se mantenham.

Há nisto uma certa falta de visão que me custa muito criticar em público e, digo-vos, só venho aqui, hoje e assim, porque me custa ver tanta possibilidade de riqueza deitada borda fora, só porque se pensa demasiado administrativamente e com muito pouco “golpe de asa”.

 

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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